domingo, 13 de novembro de 2016

Coisas que leio, ou... 'de como sou exageradamente lamechas!' #2

[Pedro Chagas Freitas]

"(carta de uma mãe ao mundo)


O mais irritante nos filhos nem é chorarem quando nascem; é fazerem-nos chorar quando nascem.

Se não fosses tão bonito, eu, agora que peguei em ti ao colo pela primeira vez, não choraria assim. Não pensaria em tudo o que, mesmo que tu tenhas acabado de nascer, já vivemos juntos. Não pensaria no quanto te desejava, desde sempre. No quanto te desejámos desde sempre. És o filho mais querido do mundo, ficas desde já a saber. E o mais bonito também, disso não restam quaisquer dúvidas. Todos os filhos são os mais bonitos do mundo, e se termos essa certeza absoluta em cada um de nós não servisse para salvar o mundo então que acabassem com este mundo de uma vez. 

O mais irritante nos filhos nem é serem giros; é eles saberem que são giros.

Se não fosses tão bonito, eu não estaria agora a abraçar-te quando tu bem sabes o que eu deveria estar a fazer. Olhas para mim com esses olhos, pedes perdão por mais uma asneira que fizeste, desta vez partiste a cama ao saltares lá em cima (“vamos fazer de conta que é um trampolim”) com o teu amigo Edgar, o teu amigo de sempre. E eu perdoo-te, como é impossível não perdoar quando és todo assim, impossível de não ser perdoado. Mas vê lá se ganhas juízo e passas a ser bonito e com juízo, fazes hoje seis anos e está na hora de começares a ser um homenzinho. Não cresças no que faz sonhar, por favor, e se crescermos em tudo menos no que faz sonhar não servisse para salvar o mundo então que acabassem com este mundo de uma vez. 

O mais irritante nos filhos nem é serem donos da nossa vida; é deixarem de ser donos da nossa vida.

Se não fosses tão bonito não tinhas encontrado uma mulher tão bonita, e tu só merecias mesmo esta. A tua mulher. Parece que tem o segredo da tua felicidade no interior do olhar. E eu só de saber que a amas assim já a amo tanto. Já não precisas de mim e tenho de o aceitar, tens a tua vida e resta pouco para te ocupares da minha. Eu cá andarei, sabendo que me queres bem e eu te quero bem. Às vezes ligo-te e digo-te que te amo, tu às vezes ligas-me e dizes-me que me amas. Às vezes apareces e quero que o abraço que dás à chegada dure para sempre, mesmo que saiba que vai mesmo durar para sempre, quando fecho os olhos ainda o sinto, o abraço é aquele que se sente quando se fecha os olhos, nada mais. És o melhor filho do mundo, o mais atencioso. Dás-me tudo o que podes e amas-me como podes. Continua assim, é uma ordem, e se amarmo-nos todos como podemos não servisse para salvar o mundo então que acabassem com este mundo de uma vez. 

O mais irritante nos filhos nem é serem lindos de morrer; é terem de nos ver morrer.

Se não fosses tão bonito saber que estou a ir não iria doer tanto. E olhares-me assim, com esses olhos profundos nos meus que aposto que já estão vazios. O fim do caminho nota-se pelo olhar, eu sei. Já fui tantas coisas mas o que nunca deixei de ser foi tua mãe. E se me perguntassem o que tinha sido na vida eu teria respondido sem hesitar: mãe do meu filho. Vou descansada, feliz até. Ficas em boas mãos, em boa vida. A tua mulher continua a mulher mais linda de todas, tu continuas o menino mais lindo de todos, as rugas ficam-te bem, meu sacana, vê lá a tua sorte. Agora deixa-me ir, eu estou bem, descansa, deixa-me ir em paz e vê se tratas bem da vida que te resta, e se tratarmos todos bem da vida que nos resta não servisse para salvar o mundo então que acabassem com este mundo de uma vez. "

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

14 meses de ti (de nós!)...

Foi ontem... mas não consegui registar o momento no dia devido, porque preferi não abdicar de meia hora de brincadeira com a pimpolha para escrever! Por isso, tenho a certeza que estou perdoada!

Com 14 meses:
- Nota-se, cada vez mais, a personalidade a ficar vincada. Tornaste-te especialista em teimosia e birras. E isso irrita-me profundamente, porque o respeitinho é muito bonito e a mãe gosta. Estou numa fase de aprendizagem para lidar com esta nova etapa. 
- Dás os primeiros passos sem auxílio. 
- Imitas tudo, repetes tudo, exploras tudo. A casa já teve de levar uma reformulação total. O teu papá, com o seu excesso de inteligência, tirou as fechaduras das gavetas e portas dos móveis e agora ninguém as consegue abrir! Segurança ao nível máximo!
- És tímida na creche, mas revelas-te em casa.
- Sempre que vamos passear, pedes às pessoas que te dêem 'mais cinco'. Como não te ligam nenhuma, dizes 'olhaaaá', 'olhaaaá'. Continuam sem te ligar, porque obviamente não te conhecem de nenhum lado, então decides dizer adeus, com a mãozinha, num aceno típico de princesa! [Na creche chamam-te 'Queen'!] É de chorar a rir!
- Continuas a adormecer às 19:30 e acordar às 08:00. Não quero 'meter nojo', nem deitar foguetes. Estou apenas a registar para ver quando a sorte acaba!
- Quando estás aflita, chamas a 'mamã', mas para a brincadeira o 'papá' é o menino dos teus olhos!
- Na creche, comes sozinha, com a mão direita. Mas em casa, como tens uma mãe inculta que não sabe que as crianças praticam 'a imitação por espelho' e se põe de frente para ti, para te dar a comida, tu pedes a colher, mas comes com a mão esquerda!
- Tens um fascínio por animais. Estes dias, oferecemos-te um cão de peluche grande. Ficaste tão em êxtase que pegaste nele e foste sozinha dar um abraço ao pai e a seguir deste meia volta e um abracinho à mãe. Sim, eu sei que foi mera coincidência, porque ainda não tens consciência do que é agradecer. Mas, naqueles minutos juro que só me apeteceu parar o tempo e acreditar que a vida é tão, mas tão mais perfeita agora!

Love you*

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Fazer a mala!

Vamos passar uns dias fora - espero eu que desta vez não marquem cirurgias nesses dias!

Digo ao homem:
"Vou ter de ir lá baixo à garagem buscar o saco de viagem."
Resposta óbvia:
"Temos ali a mala [minúscula]. Não serve?"

Coitadinho que ainda não percebeu que viajar 4 dias com uma criança de um ano equivale a levar malas para 4 meses! Ainda lhe vai dar um AVC quando perceber que tem de levar quase a casa atrás!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Coisas que leio, ou... 'de como sou exageradamente lamechas!'

E, se calhar, inauguramos uma nova rubrica.

Roubado descaradamente aqui e dedicado a todas as mulheres lamechas como eu que acreditam [muito] no amor e na força dele!
Podia inverter e dizer que me [re]apaixono todos os dias pelo mesmo homem, mas vou poupá-lo a isso que a criatura não gosta destas coisas melosas!!!

"OS HOMENS VIVEM IMENSAMENTE PREOCUPADOS QUE O CASAMENTO OS DEIXE COM APENAS UMA MULHER PARA O RESTO DAS SUAS VIDAS. NÃO É MESMO VERDADE!

Engracei com uma miúda de 16 anos cheia de graça e garra, destemida e bondosa. Apaixonei-me por uma rapariga de 20 anos cheia de projetos, ideias e sonhos. Casei com uma mulher de 25, completamente apaixonada pela vida, com uma quantidade infindável de amor para dar. Formei uma família com uma mamã de 27 anos de uma entrega, sensibilidade e responsabilidade fora de série. 
Enquanto formos felizes, nunca nos fartaremos daquela “única mulher”. Aliás, ficaremos bem surpresos pela quantidade de versões diferentes da mesma mulher que vamos conhecendo ao longo da vida.
Não fujam do casamento pois quando é com a pessoa certa, garanto-vos que tudo fará sentido!"

sábado, 5 de novembro de 2016

Engana tãooooo bem!!!

Ontem foi dia de reunião na creche, para ponto de situação acerca do desenvolvimento de competências da piolhita.

Entre outras coisas, lá na creche:

- Não identifica animais, nem sons. Pois, expliquem-me como é que nós fazemos a educadora acreditar que, quer durante o caminho para casa, quer cá em casa, parece um disco riscado: 'cau', 'auau', 'gato'...

- É muito tímida. Bem diz o paizinho 'convido a educadora a passar uns dias cá em casa e ela vai ver a timidez!' Ahah. Eu acredito que há dois tipos de crianças: as que são anjinhos em casa e pestinhas fora e as que são feras em casa e um doce fora. Estou em crer que a nossa pertence ao segundo grupo!

- Não identifica as partes do corpo. Ainda agora testei. Diz onde estão as mãos, os pés, a boca, o nariz e a cabeça. Sem hesitar, sem se enganar. Lá não! É mesmo do contra, pah!

- Não tira sozinha os sapatos. Mal saímos de lá, pusemo-la no carro e, pelo caminho, ouvimos um 'rrrssshhh', 'rrrssshhh'. Comentei com o pai 'está a descolar as tiras dos sapatos'. Espreitei e... txaram... estava a tirar os sapatos.

Conclusão [mesmo que ninguém acredite, porque ela faz questão de nos deixar ficar mal]: ela aprende as coisas e sabe fazer tudo, não se apoquentem senhoras educadoras e auxiliares. Só que só as reproduz quando não deve... ou quando quer! Temos personalidade de gancho!!!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A importância do NÃO!

É senso comum: toda a gente sabe a importância de um não. Com os filhos, na vida profissional, na vida em geral...
Mas, como estou a tirar um curso (já disse que adoro estudar a vida toda?) em que um dos módulos é sobre comunicação assertiva, dou por mim a pensar mais seriamente sobre o assunto. Ou não fosse eu a pessoa que mais pensa na vida. A minha cabeça é um comboio em permanente movimento e isso às vezes irrita-me, cansa-me...
Há dias debruçamo-nos sobre assuntos que me fascinam (ou não fosse eu apaixonada por comportamentos). Mas houve uma frase que me marcou mais: "o problema de um não foram os sim's que dissemos antes!" Tão verdade! Por isso, minha filha, este conselho é para ti:

"Nunca te prendas à necessidade de ser aceite e ao medo das consequências ou de defraudar as expetativas, para não dizeres um não. Se é o que sentes, diz! Caso contrário, viverás aprisionada a uma vida que não queres, só com medo que aches que és a miúda mais fria e ranhosa lá da zona. Não esperes que os outros percebam que estás a dizer um sim que significa não. Porque há poucas pessoas suficientemente inteligentes para o perceber. E prepara-te sempre para ouvir o que não queres. Porque a nossa sociedade não está habituada a ouvir não's sem julgar. Dificilmente se conseguirão colocar no teu lugar e perceber o teu ponto de vista. O que lhes interessa é o seu próprio bem-estar, mesmo que isso interfira com o teu! E quando errares - e por cobardia, por medo, por simpatia - não tiveres coragem de dizer um NÃO, será sempre mais fácil encontrares alguém que te julgue, do que alguém que seja capaz de te ajudar a gostares mais de ti mesma!

Dou-te estes conselhos, porque sinto que, de certa forma, quero muito não ser uma mãe-galinha. Quero que voes, porque só assim vais conseguir perceber que há mais mundo, mais pessoas, mais sentimentos. Quero que saibas que, se precisares, vou estar sempre aqui. Mas haverá uma altura na vida em que eu estou consciente de que haverá alguém que precisará, também, de ti. E tu precisarás mais da presença de alguém!"

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Porquê?

Alguém me sabe explicar porque é que quando uma criança começa a dar os primeiros passos, toda a gente (mas toda a gente mesmo, sem exceção!) repete, em modo disco riscado:
"O importante agora é não a deixar cair!"


Mas alguém acredita que alguma criatura, no seu perfeito juízo deixe cair uma criança de propósito? É óbvio que temos de fazer o possível para evitar. Mas, se acontecer (seja lá onde for), temos pena! O segredo da vida é cair e levantar!!!