segunda-feira, 23 de abril de 2018

Palavras que podiam tão bem ser minhas! #8

[Roubado daqui.]
De tão perfeito, tem de ser partilhado, por ser a realidade de muitas mães, infelizmente!

"Antes de engravidarem eram consideradas óptimas profissionais. Competentes, dedicadas, criativas, disponíveis, elas ali estavam sempre na primeira fila, com um sim como resposta a quase todas as perguntas da entidade patronal e um registo de assiduidade impecável. Com a gravidez veio o primeiro abalo. Elas que antes podiam tudo agora não podem fazer horas extraordinárias, trazem justificações para os dias de consulta e pedem dias de folga para fazer ecografias. E a entidade patronal começa a torcer o nariz mas pensa que são nove mesinhos e depois volta tudo ao normal. A questão é que não volta. As sacanas, antes sempre dispostas a colocar os interesses da empresa em primeiro lugar, tiveram o desplante de optar pela licença alargada e começa a pensar-se que, no fim, vai ter que se contratar alguém para as substituir porque, inclusivamente, estão a recusar-se a trabalhar a partir de casa alegando que precisam de tempo para elas e para o bebé.

Entretanto os meses passam e elas voltam. Só que já não são as mesmas. Agora chegam uma hora mais tarde e saem uma hora mais cedo à conta do horário de amamentação e há um dia em que telefonam de manhã e dizem que não vão poder trabalhar porque têm o filho doente. Da primeira vez a coisa ainda passa mas depois, nas vezes seguintes, até os próprios colegas já bufam em desespero. É que o trabalho delas sobra para alguém e elas parece que nem se importam com isso, como se os filhos importassem mais do que tudo o resto. A entidade patronal começa a ser menos tolerante e os adjectivos que antes as qualificavam vão mudando. Já não são competentes e dedicadas, agora são muito menos competentes e quase sempre indisponíveis. Depois há um dia em que os putos apanham varicela e elas não vêm trabalhar uma semana inteira. O registo de assiduidade, antes impecável, começa a ficar manchado e elas parece que não percebem isso. Até que um dia uma colega maldosa, que já nem se lembra como é ter filhos pequenos, faz a pergunta fatal "mas os meninos doentes não podem ficar com a avó?", e aí elas abraçam com força a posição de mãe e deixam na secretária da colega a seguinte resposta:

"Quando os nossos filhos estão doentes nenhum outro colo os conforta tanto como o da mãe ou o do pai. É a nós que eles querem quando a febre sobe e eles tremem, quando os vómitos os derrubam ou quando a comichão é tanta que nada os alivia. Se adoram as avós? Claro que sim. Mas doentes eles querem antes os braços fortes do pai e os beijos curativos da mãe. Querem a canjinha que a mãe faz, temperada de pózinhos mágicos que baixam febres e aliviam dores. Querem que seja o pai a dar-lhe o banho morninho enquanto imita os patos, os caranguejos e os búzios que pulam na banheira. Fomos nós que fizemos os nossos filhos, não foram as avós. Quando os nossos filhos estão doentes mais do que nunca são uma responsabilidade nossa e não dos outros. Quando os nossos filhos estão doentes não têm que ser largados na creche onde ou são colocados numa sala de isolamente ou contaminam mais umas quantas crianças. Quando os nossos filhos estão doentes têm o direito de não ser arrancados de casa e retirados do ambiente que, para eles, é o mais seguro do mundo. Quando os nossos filhos estão doentes o nosso mundo gravita ao redor de febres, diarreias e dentes a romper. Quando os nossos filhos estão doentes as nossas vidas ficam viradas do avesso. Quando os nossos filhos estão doentes nós somos tudo o que eles querem e eles são tudo o que nós queremos."

E no dia a seguir a colega lê o recado, torce a boca num esgar de amargura e reclama qualquer coisa como um "criei os meus três filhos sem nunca faltar um dia ao trabalho e eles aí estão, feitos uns homens e umas mulheres valentes". E elas, as mães de agora, as que passaram de bestiais a bestas encolhem os ombros e lá no fundo até têm pena. Mas chega o tempo em que depois de tanta porrada vinda de tantos lados são elas que acabam por perder a vontade, começam a nem responder e a encolher os ombros às piadas dos colegas, a evitar olhar o chefe nos olhos, não por vergonha, mas por medo que a frontalidade lhes saia demasiado cara, afinal há fraldas para pagar... Há um dia em que percebem que a empresa que um dia foi o mundo delas as cuspiu para fora devagarinho, não permitiu que os filhos delas fizessem parte. E elas sabem que se tivessem encontrado respeito e tolerância não se teriam importado de fazer horas a mais alguns dias, de trazer trabalho para casa ou de viajar em trabalho. Elas só precisavam que as tivessem deixado ajustar, que as tivessem deixado adaptar à realidade de mães e profissionais. Mas a entidade patronal não soube esperar, as colegas tiveram pressa em julgar e elas perderam a vontade, a garra e a motivação.

Um dia elas hão-de bater com a porta.

É que os filhos delas doentes querem as mães, não querem nem a creche nem as avós."

terça-feira, 17 de abril de 2018

Pérolas soltas...

E para quebrar o marasmo em que este blog caiu (prioridades!), cá vai uma série de pérolas soltas 'à la Carolina' (com assuntos absolutamente aleatórios!):

Cena nr.1:
O pai disse-lhe, uma vez, enquanto ela demorava uma eternidade para comer: 'És sempre a mesma pastelona pah. Temos de ficar à tua espera, que és sempre a última!'
Estes dias, de manhã, repetiu-me 500 vezes que queria uma bolacha. Disse-lhe para esperar, porque estava a fazer outras coisas e ela tinha de ter paciência. Resposta (óbvia!): 'Tenho paxiênxia nada. Dispacha-te pastelona!' [fiquei na dúvida entre escangalhar-me a rir ou castigar... o pai, obviamente, que é o responsável por esta saída!]

Cena nr.2:
O meu pai tem o vício de deixar a miss tocar na campaínha do elevador. No fim de semana, quando lá fomos, ela pediu ao pai para o fazer e, como ele não deixou, lá subornou o avô (que, tipicamente, não lhe diz que não!). Pergunta-lhe o meu pai: 'Tu gostaste que o 'vô te tivesse deixado tocar na campaínha?' Resposta pronta: 'Eu gostei. O meu pai é que não gostou nada!'

Cena nr.3:
Anda meio mundo à espera da Primavera... menos a minha filha! De manhã, sempre a mesma conversa. O sol dá-lhe nos olhos e ela reclama: 'Fogo, num góto di xol, só góto de vento, frio e chuva!'

Cena nr. 4:
De manhã, o pai na cama e nós saímos. Ela vai-lhe dar um beijo e reclama: 'Vais ficar a dumir? É xempe a mesma coixa. À noite tabalha, de dia dorme. Num xabes fazer mais nada!'

😂😂😂 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Rais'parta os caracóis!!!

A Carolina tem uma expressão engraçadíssima quando a franja lhe fica à frente dos olhos: 'Ai, tá a xair calacóis!' Isto com o ar mais irritado do mundo, de pé a bater no chão e com a mãozinha a ganhar o tique de puxar a franja para o lado.
A semana passada lá lhe disse: 'Pronto, no Sábado, vais com a mãe à cabeleireira e vamos cortar essa franja!'
Ela (muito espantada): 'E vou cortar o cabelo como o Manel? Vou ficar careca?'
Lá a convenci que não, que era só um bocadinho!
Ontem: 'Rais'parta [sim, ela disse isto] que já fui à cabeleira e continuam a xair calacóis!'

😂😂😂😅

quinta-feira, 29 de março de 2018

As pérolas da Carolina!

Conversa entre pai e filha:
[Pai]: 'Então a Minda já veio embora do hospital... e ela tem um dói-dói?'
[Carolina]: 'Xim'
[Pai]: 'Onde?'
[Carolina]: 'Na mão!'
[Pai]: 'Em que mão?'
[Carolina]: 'Na dela!'

Dahhhhhhh 😂😂😂

quarta-feira, 28 de março de 2018

Monstro das bolachas

De manhã, a miss pousou meia bolacha, que estava a comer, em cima da mesa e disse-me que ia à sala buscar uma almofada para se sentar. Tudo ok.
Regressa e pergunta:
'A minha bolacha?'
[Eu]: 'Está aqui!'
'E num comêtes?' - maior ar de espanto do mundo.
[Eu]: 'Claro que não filha! A bolacha é tua!'
'Ai si fosse o pai. Comia logo toda!' 😂😂😂

quarta-feira, 21 de março de 2018

A esquizofrenia da maternidade!

Há dias muito maus... e depois há os bons, para compensar. E nisto da maternidade acabamos todos diagnosticados com dupla personalidade!
A semana que passou foi demoníaca. Febres a rondar os 40º. Saturação - nossa e dela, por estarmos em casa 4 dias seguidos, esgotando todas as opções de programas caseiros interessantes. Uma semana inteira de noites (muito) mal dormidas. Birras, chatices e provocações. Se, em dias bons, a paciência para lidar com estas coisas, estica um bocadinho; em dias maus, esfuma-se. E descobre-se o cocktail perfeito... para que tudo corra mal. Andávamos exaustos. E, quando chegava ao trabalho, ainda tinha candidaturas para fazer, o que exigia uma capacidade mental que eu não estava a conseguir ter. Frustração. Mais um ingrediente a acrescentar ao cocktail explosivo. 
Foi uma semana dura. Lamentei-me, chorei, gritei, enervei-me... e continuo sem perceber o prazer que dá a algumas pessoas fazerem-nos sentir que não temos esse direito. Que temos a filha perfeita. Teria, se ela nunca ficasse doente e se eu não tivesse um emprego, roupa para lavar e passar, refeições para elaborar, casa para arrumar, banhos para dar, marmitas para preparar, compras para fazer... Mas adiante! 
Ontem, enquanto via o Panda (a minha filha, não eu!) - as usual - antes de se deitar, resolvemos conversar com ela. Perguntar-lhe porque acordava sempre, várias vezes, aos gritos durante a noite, a implorar o colo da mãe, ou simplesmente a dizer coisas parvas, como 'quélo as minhas togafias' (juro!!!). Disse-nos que tinha medo. Do cão. [Vai-se lá saber que cão, pois nós não temos nenhum!] Aproveitámos o facto de estar a dar uma música do panda, em que ele ia dormir, descansadinho, sozinho, e fizémo-la ver que não tem de ter medo, nós estamos no quarto ao lado e, tal como o panda, ela também deveria dormir descansadinha. 
A noite foi maravilhosa. 10h de sono profundo. De manhã, vem ter connosco, dá-nos um abraço aos dois, um beijo repenicado e, com a maior felicidade do mundo, diz-nos: 'Eu dormi bem. Não gritei. Fiz como o panda. O pai e a mãe estão contentes?'

Está tudo bem 💝💓 Obrigada meu amor e desculpa. Pelas vezes em que a vida não é perfeita. Até eu tenho medo e preciso de colo, às vezes. Por isso, disse-lhe apenas que, quando precisasse da mãe e do pai, era só chamar! 💓

segunda-feira, 12 de março de 2018

Casa comigo outra vez...

Dizia-te, estes dias, com a transparência e a sinceridade que me caracterizam, que me anda a faltar motivação! Planos, projetos, adrenalina, emoções,... coisas a acontecer! Que me abanem, que me espicacem, que me desafiem e me ponham à prova! Estou na flor da idade e a sentir um vazio que me incomoda.

Talvez seja a crise dos 30 (e dois!)...
Talvez seja uma certa insatisfação pela rotina laboral...
Talvez sejam os filhos...
Talvez sejam os nossos turnos trocados e o ritmo frenético dos dias...
Talvez seja a falta de tempo para namorarmos e de te ter só pra mim...

Casa comigo outra vez. Preciso de borboletas na barriga. Daquelas que o nosso amor me faz sentir. 💝