terça-feira, 13 de novembro de 2018

'Mãe, como vai nascer o mano?'


Foi participar numa ação do 'hospital dos bonequinhos' e veio cheia de dúvidas!
'Oh mãe, é naquele hospital que vais ficar? É lá que eu vou-te visitar?'
'É filha!'

'E como vão tirar o mano?'

(Respirei fundo. Para engolir a frustração de saber que vou ter de fazer a cesariana que não queria fazer. Pelos motivos que são. Porque não queria ter de ficar mais dias no hospital. Porque, à partida, a recuperação vai ser mais demorada. Porque começa agora o coraçãozinho de mãe a sofrer pelo tempo que lhe vou 'roubar'. E que piora por termos de nos entrosar nos meandros da neonatologia, que ninguém merece conhecer! Engoli em seco. Para abafar todos os medos e receios, que vieram à tona sem autorização. Até porque tinha de lhe responder e não foi nada disto que ela me perguntou!)

'Vão cortar a barriga à mãe!'
[Franze o sobrolho]: 'Vão cortar-te a camisola, não é?'
'Não, amor, têm de fazer um corte na barriga da mãe!'
'Mas é só na camisola...?!?! Ou é mesmo na barriga?? Com uma tesoura?!?'
'Sim, filha, para conseguirem tirar o mano!'
'Aiii... isso num vai doer-te muito?'
'Não, meu amor, os doutores vão tratar muito bem da mãe! Não vai doer nada!'

Se eu te conseguisse explicar que há coisas que doem muito mais! 
Sabes, minha princesinha, a vida não será sempre cor-de-rosa, mas se caminharmos com muita firmeza em direção àquilo em que acreditarmos, no final não teremos só o rosa, mas todas as cores do arco-íris! 💓 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Ai os ciúmes...

... que num segundo me fazem desesperar e noutro me lembram que fui elevada a um patamar de deusa insubstituível!

Digo à miss para ir lavar os dentes. O pai vai com ela. Estou a acabar de fazer uma tarefa qualquer e começo a ouvir o cenário do costume: berros, discussões, choros e a frase que mais se ouve lá em casa nos últimos tempos: 'Eu quero a mamã!' Eles os dois adoram-se, mas parecem cão e gato!
Nisto, vejo o pai a sentar-se no sofá em modo birra: 'Desisto! Não quero saber!'
Eu, cansada, aborrecida, pensei que também tinha direito a fazer birra. Sentei-me também no sofá. [Sim, nós há 10 anos que alternamos entre um amor maduro e uma paixão meia adolescente, que envolve fazer estas cenas!!!].
Às tantas, chega a miss à sala, a fazer beicinho e a choramingar: 'Eu fiquei lá dentro soxinha!'
Engoli o riso e tentei explicar-lhe que ficou sozinha porque quis. 'Porque é que não deixaste o pai ajudar-te?'
- 'Puque quia a mamã!'
- 'Mas a mamã estava ocupada. Era preciso aquele filme todo?'
- 'Mas... mas... mas... eu tinha tantas xaudades tuas!' 
💘💝 [Matou-me! Tinhamos acabado de jantar todos juntos!😅]

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Há as crianças que não gostam da escola...

... e depois há a Carolina!

Véspera de feriado.
[Eu]: 'Filha, amanhã não tens escolinha!'
[Ela]: 'Puquê?'
[Eu]: 'É feriado!'
[Ela]: 'Ohhhh, que pena! Quia tanto ir pra escola!'

Anda uma mãe a criar uma filha para isto! 🙈😂😂

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Pérolas soltas#6

Estes dias o pai senta-se com ela a ver o futebol. Estava a jogar o F.C.Porto x Lokomotiv Moscow.
[Pai]: 'Vês, os azuis são do nosso Porto!'
[Carolina]: 'E os bemelhos?'
[Pai]: 'Os vermelhos são de outra equipa que não presta!'
[Carolina]: 'Ah, já sei, do Benfica!'

😂😂😂

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Fé... Esperança... Amor... [E uma força imensurável!]


Escrevi um dos textos mais dolorosos da minha vida. Depois de uma notícia que nos tirou o chão.
Mas está nos rascunhos. Vai ficar por lá.
Irei publicá-lo. Mas quando tiver a certeza de que tudo não passou apenas de uma provação da vida. 
Para aprendermos a ser gratos! A dar valor ao que realmente importa! A percebermos que as coisas não acontecem só aos outros. 
Até lá... que o pensamento positivo nos mantenha agarrados à esperança de que, num limbo entre o que de melhor e pior possa acontecer, só se coloca a primeira hipótese.
E estamos a assimilar a mensagem, vida: vamos agradecer mais, abraçar mais, exigir menos e continuar a acreditar que este amor tão gigante que nos envolve aos quatro, será o motor e a força necessária para sermos mais felizes do que algum dia sonhamos vir a ser!

[Já sei que não fui esclarecedora, mas vou ser, a seu tempo. Vai correr tudo bem!]

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Eu gostava de dormir...

... Lá para 2028, quando puser o sono em dia, entro em coma!
A minha filha tem dormido pessimamente (logo ela que dormia 12h seguidinhas na boa! Portanto, isto é o universo a pré-preparar-me para o que aí vem!).
Chama-me umas 3/4 vezes por noite, para dormir um bocadinho com ela, porque está escuro, porque ela dorme sozinha com os bonecos e eu e o pai dormimos juntos (boa argumentação!!!)...
Tenho deixado uma luz de presença acesa. Ontem tive uma conversa mais séria com ela, a dizer-lhe que precisamos as duas de descansar e, por isso, ela tem de começar a dormir sozinha a noite toda. Se acordar, vê que há luz e volta a dormir mais um bocadinho, que a mãe está no quarto ao lado e quando forem horas de acordar vou chamá-la! Achei que tinha percebido e deitei-me esperançosa que a noite corresse melhor.

2:00 da manhã.
[Carolina]: 'Mamã, mamã, anda cá por favor!'
Levanto-me, já a bufar, a revirar os olhos, preparada para a fulminar só com o olhar...
[Carolina]: 'Vês, eu tou a potar bem. Acodei, vi luz e continuei aqui soxinha, num pedi pa tu vires dumir comigo! Até já'

Não sabia se havia de rir ou chorar. Hoje tentarei arduamente que ela perceba que, se não tem nada de útil para me dizer, pode ficar caladinha e não me acordar desnecessariamente. Preciso, encarecidamente, de dormir. Sob pena de ensandecer. De vez!

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Morri!

Estava sozinha com ela em casa. Estávamos a comer canja. De repente, vejo-a aflita, a puxar o vómito. Cada vez com mais intensidade. Enfiava as mãos na boca. Ficou branca... ou roxa, sei lá! Mudou de cor, mas eu já não via nada. Não conseguia falar. E eu percebi que tinha qualquer coisa entalada na garganta. Eu tremia como varas verdes, respiração ofegante e uma sensação de impotência inexplicável. Porque eu tenho o curso de Primeiros Socorros. Eu tenho formação em Suporte Básico de Vida. E, naquela hora, estava bloqueada. Uma perna puxava-me para a porta, numa tentativa desesperada de gritar por ajuda a um vizinho. A outra perna, fixou o chão e obrigou-me a virá-la quase de cabeça para baixo e dar-lhe duas palmadas fortes nas costas. Vomitou um osso de frango, mais pequeno que a unha do dedo mindinho dela. Mas que foi o suficiente para nos deixar às duas em apneia! 
Abraçamo-nos e ela, muito aflita e chorosa diz-me, entre soluços: 'Diculpa mãe. Eu não fiz por mal e tu bateste-me!' Morri mais um bocadinho. Expliquei-lhe que tive de fazer aquilo para a ajudar a desengasgar-se, que ela não teve culpa nenhuma e que a amava muito. 
Acalmamo-nos mutuamente. E eu renasci naquele abraço.

Imagem surripada do Google